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Grupo Clareou fala sobre lançamentos, parcerias e planos futuros

Na última sexta-feira (11),  o Latinos Brasil conversou com Fernando Mellete, integrante do grupo Clareou. O Artista nos falou um pouco sobre o lançamento da música Marra de Durão, e também sobre o novo álbum “Deixa Eu Ir à Luta”.

Confira a entrevista completa:
LB: Como foi o processo de criação e produção de Marra de Durão?

Fernando: Essa música eu encontrei em outubro do ano passado, um compositor de São Paulo chamado Milthinho a postou em seu IGTV. Quando ouvi fiquei maluco e já entrei em contato perguntando de quem era a faixa. O Milthinho me contou que era uma composição própria dele, ao lado do Thiago Soares, os dois são caras que a gente já grava a vida toda. Mas, esse single já estava encomendado por outro artista aqui do Rio, o Matheusinho. Eu estava apaixonado pela música, já tinha mostrado para os garotos que também adoraram e achamos que não ia rolar. Em fevereiro quando fomos gravar nosso álbum, chamei eles novamente para saber se alguém iria lançar a música e eles falaram: “Não Mellete, a música é do Clareou, a música é para vocês. Foi pra um e não rolou, foi para outro não rolou, tem umas coisas que é por Deus, e a Marra de Durão é de vocês”. Gravamos a faixa com arranjo e produção do Prateado, ele é quem nos produz desde nosso primeiro DVD. Estamos muito felizes, porque quando fomos fazer a base da música, sentimos que ela é uma pancada. Estávamos esperando um pouco essa pandemia passar e agora que está em uma fase decrescente, decidimos soltar.

LB: Quais as expectativas do grupo para o lançamento?

Fernando: As melhores possíveis, tanto a nível dos números, dos lugares, quanto a nível digital que é um mundo moderno. Que a gente consiga entrar em todas as playlists, conquiste números relevantes nas plataformas, no Youtube, que fizemos um lyric muito legal, ensinando a letra para a galera e também que a música entre na boca do povo. No momento estamos rezando para que a rua possa voltar logo, para podermos sentir isso nos shows. É o que eu costumo falar, o Clareou é um grupo da rua, dos shows. Então não vemos a hora de tudo ser liberado e o Brasil voltar ao normal, para sentir com o povo na rua.

LB: O single é o quinto lançamento do álbum “Deixa eu ir à luta”. Como foi a escolha do repertório do álbum?

Fernando: Eu e o Prateado vinhamos ouvindo e separando músicas inéditas, a uns dois anos. Os compositores mandam e como costumamos dizer, guardamos elas em um cofre, mas sem data para gravar. O nosso último álbum de músicas inéditas foi em 2015. Em 2017 lançamos o DVD Roda de Samba do Clareou, e de lá para cá só largamos singles nas plataformas. Então pensamos que precisava de um novo EP com faixas novas, graças a Deus já tínhamos várias pré-selecionadas. Esse trabalho de escolha é constante, tem compositores que mandam músicas perguntando se estamos ouvindo, eu sempre respondo que sim. Conseguimos gravar um disco, regravando “Deixa eu ir à Luta” do Arte Popular, e “Era Tanta Saudade” do Chico Buarque com o Djavan, que está em um poup porri. O resto são todas inéditas. Em janeiro finalizamos a escolha do repertório, fevereiro gravamos em estúdio o disco inteiro. Em junho lançamos 4 faixas e agora em setembro “Marra de Durão”. Pretendemos lançar mais quatro singles no final do ano, e depois de três meses, mais quatro.

LB: Vocês já cantaram com diversos artistas como Belo, Delacruz, grupo Doce Encontro, entre outros. Podemos esperar mais lançamentos com parcerias futuramente?

Fernando: Estamos querendo convidar alguns artistas ainda para esse álbum. Pensamos no Grupo Sereno, na Preta Gil que é do nosso escritório, o Seu Jorge, todos são pessoas que nunca gravamos. Curtimos muito essa coisa do feat! No DVD passado gravamos com Ferrugem, Turma do Pagode, Nerci Brandão e até de outros gêneros. Uma coisa que o Clareou gosta demais, é não ficar preso só na questão do samba. A pandemia acabou atrapalhando essas parcerias, de se juntar no estúdio para gravar, dificultou essa aproximação, mas estamos querendo ver se conseguimos isso.

LB: Qual foi a maior dificuldade que encontraram durante esse tempo de isolamento social?

Fernando: O ficar sem trabalhar dói de duas maneiras. Ele doí no bolso de todos os artistas, porque não é só nós, temos uma equipe por trás, de música, técnicos, iluminadores, motoristas, de tudo. Então é uma cadeia muito grande que vem junto, que influencia dentro de casa. O segundo é o psicológico, acho que ninguém nunca viveu isso, na história, de ficarmos seis meses em casa olhando para o teto. É uma coisa muito complicada para o artista que vive na estrada, principalmente nos finais de semana tocando, dia de semana no estúdio, ou na casa dos outros compondo, nosso trabalho é voltado literalmente com a aglomeração. Independente de hoje ter essa coisa da internet, de poder estar falando por vídeo, todos esses planos, a grande maioria é voltado as pessoas. Então essas coisas de não podermos estar fazendo shows são as dores maiores. Não vemos a hora de poder voltar.

LB: Quais são os planos do Clareou após a pandemia?

Fernando: Temos alguns shows fora do Brasil que foram adiados. Acredito que vamos voltar para os Estados Unidos, pois iriamos para lá em abril. Isso é uma coisa muito legal que temos que cumprir e gostamos muito. Também esperamos lançar o resto todo do álbum e seguir nosso trabalho. Este ano o Clareou está fazendo 10 anos de carreira, e com toda a certeza para um plano futuro, temos um projeto de gravar um DVD em comemoração, algo de vídeo mesmo, somando toda nossa carreira. Porém vai ter que ser adiado para o ano que vem.

LB: Qual você considera o lado positivo e o negativo de ser uma figura pública?

Fernando: Hum, boa pergunta. Do lado positivo tem muita coisa legal. Tem o prestígio das pessoas, também tem essa parada dos vizinhos, dos amigos, de você ir nos lugares e as pessoas conhecerem. Minha mulher é dentista, e deixa uma foto nossa em seu consultório, sempre que os pacientes vão lá me reconhecem. Além do mais eu sou careca, tenho uma figura muito marcante, careca de cavanhaque, não é uma coisa tão comum e acaba marcando (risos), então isso é muito maneiro. Brincando um pouco com isso, além do reconhecimento acabamos ganhando coisas, que hoje é o que os influenciadores chamam de recebidos. A gente ganha tanta moral, de tantas empresas e marcas e isso é muito positivo. Por outro lado, não tenho muita coisa negativa para falar, me dou muito bem com fotos, com isso de fazer vídeo para os outros, não tenho muito essas diferenças de público e artista. Todo mundo que me pede coisas nas redes sociais eu faço, sou muito acessível a isso. Não vejo como algo chato, eu acho bem maneiro.

LB: Você já deixou de fazer coisas ou realizar projetos por medo/receio do que as pessoas iriam pensar ou já se sentiu desmotivado por alguma situação?

Fernando: Não. Posso ter deixado de realizar por algum motivo nosso de estratégia mesmo, de entender que não era o momento ou por algum problema financeiro que optamos por esperar mais um pouquinho, mas por receio de alguém pensar alguma coisa nunca rolou, pelo menos até agora não.

LB: Depois de tantos anos de carreira com vários hits estourados nas rádios do Brasil, qual é a sensação de olhar para trás e ver todo sucesso que conquistaram?

Fernando: Muita felicidade. Costumo dizer que o maior sonho da minha vida eu já realizei, que é viver da música profissionalmente, eu sempre gosto de falar isso. Eu toco desde criança, de época de escola, com 13/14 anos, vivia batucando em mesa de sala de aula e ali tudo ainda era um sonho. Você vai crescendo, trabalhando para fora, e tem o problema de conseguir conciliar sua realidade, seu salário com o seu sonho. Todo artista fica se perguntando “será que vai dar certo?”, “será que vai chegar minha hora?”. Então o fato de termos conseguido largar os nossos empregos e viver da música, é maior sonho que já consegui realizar. Tomara que fique muitos anos ainda, porque é muito satisfatório olhar para trás, ver isso tudo e poder contar isso para você agora, é muito valioso, não tem preço.

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