Daya Luz e Pepita falam sobre parceria em “Recruta”, poder feminino e comunidade LGBTQ+ | Latinos Brasil | www.latinosbrasil.com Latinos Brasil | www.latinosbrasil.com

Daya Luz e Pepita falam sobre parceria em “Recruta”, poder feminino e comunidade LGBTQ+

A cantora e dançarina junto com sua parceira trouxeram à tona assuntos como o Poder Feminino, a Comunidade LGBTQ+, e a resistência. Esse é o sexto single dela em 2020!

O clipe de “Recruta” trás um ambiente militar com a participação do ex “De Férias Com O Ex“ João Hadad como um dos seus recrutas. A canção chegou às plataformas digitais no dia 16 de dezembro. Além desse feat, a música tem como a produção de DJ Batata que trabalha atualmente com a artista Jojo Todynho.

Nós do Portal Latinos Brasil tivemos um bate papo para lá de descontraído com as duas.

Confira a entrevista completa:

LB: Tendo em conta que esse é o seu sexto single em 2020. Pergunto a vocês duas. Como foi o processo dessa parceria nesta música ?

Pepita: Eu já namorava a Daya!

Daya: A gente já se namorava pelas redes sociais. Acompanho a Pepita a um tempo , sou fã, eu adoro a energia dela , realmente é uma mulher incrível e me identifico muito com ela. Está sendo um prazer tê-la essa música, nós nos divertimos tanto fazendo as gravações das vozes e o clipe. É realmente uma parceria. Fico muito feliz quando a gente consegue isso , porque é uma troca de energia muito grande, e como ela sempre diz, é um casamento. Até irei falar isso nos próximos trabalhos porque realmente é um casamento. Nós quando fazemos uma música e colocamos tanta energia quando a gente tem essa união, essa coisa é de verdade, não é de mentira . Então, esse single comecei a fazer lá em Portugal, cheguei aqui e a minha equipe começou a pensar em uma pessoa para fazer uma colaboração dentro desse clipe, nisso veio a Pepita e, liguei para ela no mesmo dia e falou que topava, que era isso aí.

Pepita: E me ligou assim, 1 da manhã, para falar de música , e eu falei, “meu Deus essa menina não dorme” (risos).
Me mandou a primeira parte do clipe que foi gravado em Portugal, já amei a música, achei com uma energia maravilhosa, uma pegada maravilhosa também. E depois disso, precisava saber onde a Pepita iria se encaixar nesse clipe. Eles me deram um papel muito bacana e muito forte no clipe, então senti muito orgulho da letra “T” ser representada com uma farda com tanto peso. E para mim foi maravilhoso o espaço que me deram, o carinho da equipe dela, da Daya, Já estava namorando ela a muito tempo, já tinha convidado para fazermos um feat juntas mas que tive que mudar algumas coisas do meu trabalho, por conta do programa e série que estou gravando, que não estava com tempo de me dedicar a música, mas aí ela me convidou . Já havia falado para minha produção que nunca mais iria fazer um feat. com ninguém, mas a Daya me passa uma energia tão gostosa, tão carinhosa, uma mulher assim que é igualzinha a mim , que se mete , que é independente, etc. Nós que somos independentes matamos um leão por segundo, nosso telefone não para e, nossa mente piorou. E daí a música chegou e foi maravilhoso. Amei, amei e amei! Espero que a mensagem que temos que passar para as pessoas, é que você pode ser feliz da forma que quiser , da maneira que quiser, do jeito que quiser. A felicidade é sua, não do próximo. E sonhos devemos guardar numa padaria e nem uma caixinha, você tem que colocar para fora. Fico imaginando quantas pessoas com a letra “T” que sonham em trabalhar no exército, sonham em seguir uma carreira, ser uma advogada, uma dentista, juíza, o que quiser ser, comissária de bordo, e as vezes nós temos esse bloqueio que colocam na gente, rótulo, essa parede que iniciam na nossa frente para a gente viver dentro daquela bolha. Eu como a primeira trans funkeira com muito orgulho, amo o funk, consegui tanto espaço como estamos conseguindo, para mim é maravilhoso, mas também acredito que tudo tem sua hora de acontecer. Sou muito grata a todos.

LB: O clipe é totalmente inspirado no ambiente militar, e um dos seus recrutas é o ex “De Férias Com Meu Ex”, João Hadad. Como foi recruta-lo para essa produção?

Pepita : Eu não conhecia, fiquei nervosa quando vi. Bufu! (risos)


Daya: Olha LB, também não conhecia o João pessoalmente mas é um cara super bem resolvido, que aceitou de cara, super disponível, muito aberto as nossas ideias, a gente abusou dele,  colocamos para fazer flexão, sentei em cima, a gente deu tapa nele, enfim falamos para fazer o que fosse, ele estava ali, super disponível, super tranquilo Isso foi muito importante, soube respeitar a mim como mulher, a Pepita como mulher. Com esse trabalho, a gente quer mostrar exatamente que nós podemos chegar onde a gente quiser, independente de como somos, independente de quem somos. Nós temos esse poder, temos que ser respeitada por isso. Podemos chegar nas patentes mais altas da nossa vida ,né?

LB: Claro! Com certeza!

Daya: Porque ela é alta desse nível, está ali colocando ordem em tudo e mostrando para a sociedade, olha só estou aqui!

Pepita: Que coisa mais gostosa de trabalhar com ele, de tirar ele do “De Férias Com Ex” , da ex , do irmão da ex, tudo do ex. E uma coisa maravilhosa que ele tem, é que ele é bem resolvido com ele mesmo. Então para contracenar com uma trans tem que estar muito bem resolvido, e ele é um cara muito bem resolvido nas coisas que ele faz. Em todo momento me respeitava, respeitava a Daya, e se respeitava naquele ambiente ali, em alguns momento ficava travado comigo e com ela, e dávamos toques para se soltar e curtir aquele momento. Porque entendo que sempre tem aquele amigo machista, de má fé, que fala assim: “Que maluco de fazer um negócio desse”. Não quer saber, entendeu?


Se tivesse rolado um cena de beijo ali, o cara beijaria sem problema nenhum, sabendo que ele é resolvido. Então, foi a melhor escolha que a equipe da Daya fez. Em momento nenhum o vi de cara feia, reclamado, o João estava ali vestindo a camisa do projeto.

LB: Vimos que vocês chegaram a conversar com membros da Comunidade LGBTQ+ sobre o alistamento militar e também sobre as vivências particulares. Conta para a como foi essa conversa e se serviu ainda mais para complementar nessa produção ?

Daya: Olha LB, fiz uma enquete nas minhas redes sociais perguntando para as pessoas que me seguiam, perguntei também a amigos próximos e, nunca tinha parado para pensar sobre nisso mas me contavam que sofreram sim, alguns tipos de constrangimentos, medo e, é muito importante tocarmos em um assunto que não é misturável né, que essas pessoas passaram relatos tão triste, as pessoas tem medo, que as vezes tem que esconder quem são, como falam, como se vestem. E foi que mais ouvi dos que não sofreram, que eles não foram eles mesmo, por não falar da maneira que falam, de não vestir a roupa que costumam colocar , e os outros que foram do jeito que são , sofreram muito constrangimento. É um assunto que devemos abordar e tem que ser falado mesmo, de uma vez por todos, vivemos um momento em que o respeito tem que ser a base de tudo. Porque para mim são assunto que não deveriam existir. Não é meu local de fala, nunca fui, e nunca sofri nada do tipo porque não passei por esses processos, mas temos a Pepita aqui, para poder falar sobre isso abertamente, também temos os casos que a gente recebeu. Não sei se você passou por um momento e, se esse momento você sentiu medo no dia anterior. Aí como que vai ser meu Deus?
Porque são assuntos que acontecem e, que existem mas as pessoas não tocam no assunto, e estamos aqui para falar sobre.

LB: Maravilhoso entrar nesse tema.

Pepita: Foi tranquilo seu alistamento? (pergunta para o nosso colaborador)

LB: Então meu alistamento foi mais ou menos, porque não sei como funciona em São Paulo , mas no Rio é o seguinte , quando você vai se alistar não se deve ir de bermuda, não sabia, fui do meu jeito, como sou, já me olhavam feio e, me falavam: “Você terá que ir para a casa para se trocar e voltar para se alistar.” Quando fui na segunda vez , tinha um jeito afeminado de ser, já chegavam e me olhavam, não servi.

Pepita : E por quê você não continuou afeminado? O que te fez mudar? Eu vejo que você agora está mais durinho.

LB: Então, amadureci minhas ideias, cai para o lado sexual também, digo assim. Quando era mais jovem pensava que para ser homossexual teria que ser afeminado, minha mãe falou que não era sim, tinha 11 anos lembro como se fosse hoje. Há 3 anos atrás , antes de me mudar para Argentina, tivemos a mesma conversa, claro que mais madura. O país é totalmente a favor da Comunidade LGBTQ+ , você pode sair e dar beijo na praça que ninguém irá te julgar, diferente daqui. Porém minha mãe falou que como não conhecíamos o país, tinha bastante medo de que pudesse sofrer algum discriminação pelo meu jeito, ou até mesmo me atacar de alguma forma verbalmente ou até mesmo fisicamente, então disse “Tenta ser mais natural, não quero que você sofra preconceito”. Ela estava com muito medo disso, por viver sozinho e não ter ninguém da minha família para me acolher em algum momento. (logo após isso, o colaborador entra em um assunto mais pessoal com as artistas, elas seguindo essa linha de raciocínio e todos se emocionam).

Pepita: Então eu tenho certeza …

Daya: Muito obrigada por compartilhar isso com gente.

Pepita: Você muito bem sabe o que a letra “ T” passa 24 horas.

LB: Sei. (falou emocionado)

Pepita: Então, me senti muito feliz , e para mim foi uma das melhores entrevistas que dei agora. Peço até desculpas a Daya , por você ter confiado em nós para contar uma história dessa para a gente. Mas única coisa que tenho para dizer , é uma só , de muito valor a sua mãe, de todas as formas , de todos modelos, sabe quanto sua mãe , etc, enfrentou para você conhecer o mundo. Então valorize sim, um super beijo para você e bebe uma água para possamos continuar a nossa entrevista.

Daya: Muito obrigada por você se abrir com a gente, num assunto tão pessoal e tão importante falando sobre você. Estou muito feliz de que nós passamos uma energia para você ao ponto de vir compartilhar conosco.

Assessora da Daya: O mais engraçado , irei me meter aqui , sou a Assessora da Daya e estou coordenando aqui , que estou ajudando a você nesse bate papo. Você foi o último veículo, então assim , a gente passou por uma série de situações com outros repórteres , sempre muito interessante mas sem dúvidas a sua história muito incrível e mais interessante disso tudo, é entender o poder de um clipe , de ver o poder da união de duas pessoas de trazer um trabalho assim , a gente sem querer , claro que a Pepita agora te fez umas perguntas ,mas nós conseguimos coletar informações durante todas as entrevistas , foi uma aula. É uma missão que vocês tem em mãos essa troca de vocês, enquanto pessoa , enquanto seres humanos. Tomara que a gente tenha essa troca e feedback , eu fiquei tendo aula , mas agora estou assim , fiquei com os olhos cheios de lágrimas. Eu não chorei para não te incentivar a chorar mais.

LB: Eu fiquei muito emocionado aqui. Mas voltando, esse mais um clipe bem sensual e bem dançante. Pergunto a vocês duas, os fãs podem esperar algum challenge em alguma rede social para dançar essa música? Gostaria também se irá rolar isso?

Daya: Tem que rolar e irá ter com certeza. Nós já estamos aqui bolando várias ações para colocar lá no Tik Tok , Reels , em todo canto, do que pudermos fazer para incentivar….

Pepita: A gente está com ideias maravilhosas de em breve a gente visitar algumas academias que tiverem tendo aula , e as pessoas tiverem ouvindo “Recruta” e aparecer para escutar juntos com elas. Nós estamos querendo fazer essa surpresa. Se descobrimos que você está na academia ouvindo a nossa música , pode ter certeza que iremos chegar ao seu lado. Ainda mais a gente que ama treinar.

LB: Logo eu, não amo treinar não. (caem na gargalhada). Para terminar, gostaria de fazer um jogo chamado “ Ping Pong “ que consta eu fazer uma pergunta, e vocês respondem com uma palavra ou  frase. Bora?

Daya e Pepita: Fechado!


LB: Uma música sua que vocês mais gostam ?

Daya : “Recruta” agora né ,

Pepita: Eu amo “Recruta” mas amo também “Chama Beleza “.

LB : Uma inspiração? Pode ser pessoal ou profissional.

Pepita : Acho que minha mãe me inspira muito.

Daya: Acredito que minha família também , vim de uma comunidade que graças a Deus que mesmo que meus pais não tiveram tantos recursos , me deram algo muito importante que é a educação, é aprender a respeitar as pessoas, para mim é o maior valor de um ser humano.

LB: Qual artista internacional que vocês duas recrutariam para fazer parte do seus exércitos?

Pepita: Rihanna , Beyoncé , Lady Gaga…

Daya : Colocaria a Ciara também , me inspiro nela , na dança , em tudo , acho super empoderada, ela chega chegando.

Pepita : Ariana Grande também

LB: Uma parceria dos sonhos?

Daya : Tem tantas, tão difícil de falar uma, mas a minha dos sonhos , realizei agora que é ter essa mulher , óbvio. Mas a Ivete que é uma referência para mim que desde criança a assisto e a energia dela passa um coisa tão boa para mim.

Pepita: Que delícia Daya! Mas eu não sonho em ter parceria com ninguém não , sou muito de energia , foi o que aconteceu com a ela , tem uma energia muito boa e também tem uma base de família muito boa, e é muito verdadeira. Quando aceitei esse casamento , não aceito por números, aí vou fazer feat com a Joana porque ela tem um número tal. Esse lance não curto muito, tenho que simpatizar, tudo é um processo, tenho que gostar de tudo, da música , da pessoa, etc. Por isso não tenho um feat dos sonhos , porque irei levar aquele casamento pro resto da vida , tenho a parceria com pessoas que possam me ensinar, porque é uma troca, eu te ensino e você me ensina, e a gente aprende junto.

LB : E para terminar. Defina seus fãs com uma palavra ?

Daya : O meu são os iluminados. Falo iluminados porque carrego esse nome ao meu sobrenome de verdade , Daya Luz , quer dizer empatia , bondade. Então digo que a verdade tem que existir dentro e fora. Os chamo assim porque eu tento passar para eles todo esse respeito que tenho e, esse amor , respeitar opiniões.

Pepita: Os meus são resistência.

A música “Recruta” já está disponível em todas as plataformas digitais! Confira o videoclipe oficial:

 

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