Alfonso Herrera fala sobre pandemia, projetos futuros, RBD e muito mais Latinos Brasil | www.latinosbrasil.com

“Negar que a doença existe é negar a memória daqueles que morreram” diz Alfonso Herrera

 

O ator mexicano, Alfonso Herrera, como grande parte da população, está em isolamento social devido a pandemia global causada pela COVID-19, e aceitou o nosso convite para falar sobre o que tem feito na quarentena, seus projetos futuros, e como vem ajudando aqueles mais necessitados.

Com alguns projetos já filmados, mas que tiveram suas estreias adiadas, Alfonso Herrera tem passando mais tempo com a família, mas usando os suportes que possui, como as redes sociais, para poder colaborar com quem precisa.

Alfonso Herrera é colaborador de alto perfil da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) na América Latina. Em alguns meios de comunicações o ator chegou a pedir doações, independente de valores: “pode ser pouco dinheiro para muitas pessoas, mas para um refugiado significa ter água e sabão, que são o primeiro escudo contra o coronavírus”.

De acordo com Alfonso, a grande maioria das solicitações de refúgio chegam de Honduras, Guatemala e El Salvador. O México atualmente tem 700 mil refugiados provenientes desses países, fora 100 mil da Nicarágua e pessoas de Cuba e do Haiti.

 

Reprodução do Instagram

 

  • Confira na íntegra nosso bate-papo:

Latinos Brasil: Você é colaborador da ACNUR  já faz um tempo. Pode nos contar como foi seu primeiro contato com a agência, e como ela começou fazer parte de sua vida?

Alfonso Herrera: A primeira vez que colaborei com o ACNUR foi no Pride 2019. A comunidade LGBT+ continua sendo altamente discriminada e perseguida. Muitos refugiados têm que deixar seus países devido à sua preferência sexual. O ACNUR estava me procurando para fazer um vídeo, para consequentemente ajudar a aumentar na conscientização sobre isso, pois ninguém deve ser perseguido por ser assim.

LB: Como os brasileiros podem fazer para ajudar?

AH: Temos que proteger os direitos humanos e a dignidade dos refugiados, e uma das maneiras de garantir que isso seja feito, é através da doação por meio do site do ACNUR (doar.acnur.org | donate.unhcr.org). O ACNUR trabalha com organizações da sociedade civil para que isso aconteça. Além disso, todas as pessoas podem ajudar, conscientizando-se sobre a vulnerabilidade dos refugiados, pois são pessoas que, devido à violência, deixaram tudo para continuar vivendo.

LB: Falando agora sobre uma situação crítica global, existem pessoas que não acreditam na COVID19, mesmo após 3 milhões de pessoas serem infectadas e cerca de 300 mil falecerem. Alguns apontam que é culpa do Bill Gates ou maçonaria. O que você acredita e recomenda para as pessoas?

AH: Negar que a doença existe é negar a memória daqueles que morreram e daqueles que adoeceram devido ao COVID19, é também negar o trabalho das pessoas que estão na vanguarda desta crise de saúde.

LB: Sabemos que não há um manual de como lidar com esse período de isolamento social, mas queremos saber de você. O que tem feito esses dias, e como explica para seu filho sobre este cenário de Pandemia, que impossibilita de poder sair e ver pessoas que ele antes estava acostumado conviver?

AH: Não há um caminho certo para passar por isso, porque isso é novo para todos, por isso experimento um dia de cada vez. Quanto ao meu filho, direi que as crianças são naturalmente resilientes. Ele entende a situação e sabe que há riscos, ele tem sido muito paciente e tem muito entendimento, então ele tem sido um bom professor nos dias de hoje.

LB: Por falar no Daniel, seu filho, algumas pessoas não entendem o fato de você não querer mostrar o rosto dele, embora já tenha se explicado algumas vezes. Gostaria de compartilhar um pouco mais para que fique registrado?

AH: Quem não entende isso provavelmente não sabe que as crianças são uma população vulnerável e, como tal, devem ser protegidas. Felizmente, a legislação mundial é cada vez mais favorável a esse respeito, cada vez mais países estão restringindo a exposição de menores. É uma questão de proteger sua identidade, sua dignidade e também uma questão de segurança.

LB: Queria dizer que, particularmente, acho incrível a forma que compartilha seus momentos de pai e filho, respeitando a privacidade dele. O que mais mudou desde que o Daniel chegou na sua vida?

AH: Tudo muda quando uma criança chega. Em uma entrevista, Barack Obama disse que ter filhos é como ver parte do seu coração correndo por toda parte, e acho que é a melhor maneira de descrevê-lo.

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Dia 17

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LB: Vamos agora falar de trabalho. Recentemente foi divulgado o trailer do filme “Me Case con un Idiota“. Como foi fazer parte deste projeto e o que o público pode esperar?

AH: Acho que depois dessa contingência de saúde será muito necessário para todos relaxar, e essa comédia romântica pode ajudá-los a passar o tempo e se divertir. Foi divertido e gratificante trabalhar com cada pessoa, do diretor, dos técnicos, dos demais atores e atrizes. Foi um projeto muito harmonioso.

LB: Então nos diga, e os bastidores? Pode nos contar um pouco mais como era sua relação com o elenco?

AH: Trabalhar com Paulina Gaitán é incrível, ela é uma pessoa muito divertida e uma ótima colega de trabalho. Batán Silva é um diretor com quem eu queria trabalhar por um longo tempo e, curiosamente, depois do filme, fizemos novamente em um capítulo da série “Queen Of the South””. Por isso, sou muito grato por ter trabalhado com ele em dois projetos diferentes.
Eu já havia trabalhado com Guillermo Granillo, diretor de fotografia, em “El elegido” e realmente gostei de encontrá-lo novamente. Também gostei muito de trabalhar com o produtor Ale Cárdenas, por isso espero que seja um dos muitos projetos que iremos fazer juntos.

LB: É muito triste que os filmes no qual você fez parte não tenha chegado no Brasil, mas felizmente tivemos a sorte de conferir ao menos algumas séries que têm feito, como Sense8 e O Exorcista. Como foi fazer parte destes projetos tão grande?

AH: Foi muito enriquecedor em todos os aspectos ter trabalhado nessas duas produções. Trabalhar com Lana e Lilly Wachowsky, e James McTeigue foi incrível. Quando eu tinha 16 anos, fugi da escola para ver “Matrix” e, subitamente, 16 anos depois, estou em “Sense8” trabalhando com eles, com pessoas que sempre admirei.
Em “The Exorcist“, gostei muito do haltere com Ben Daniels, a quem considero um ótimo ator, e aprendi com cada um dos diferentes diretores. Os criadores do projeto fizeram um trabalho espetacular e acho que estávamos todos ansiosos para fazer a terceira temporada, mas isso só o tempo dirá.

Alfonso Herrera e Miguel Angel Silvestre na série Sense8, da Netflix.

 

LB: The Exorcist não teve a mesma sorte de Sense8, que mesmo após cancelada, teve uma conclusão. O que você acha que Marcus escutou de Deus na última cena? Aparentemente seu personagem, o padre Thomás estava em perigo. Qual seu palpite?

AH: O importante é que Marcus escuta Deus novamente depois de um tempo. A jornada de Marcus é um tipo de reconciliação consigo mesmo para voltar a ser o canal mais poderoso do que sempre foi. Com certeza, Thomas estava em perigo e então Marcus ouve o sinal.

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🍃😬

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LB: Sabemos também que você faz parte de um outro filme para ser lançado, o “El baile de los 41”. Como foi que este projeto chegou a você, e o que fez querer fazer parte dele?

AH: Eu conheci o trabalho de David Pablos em “Las Elegidas” e “La canción de los niños muertos” e eu realmente queria trabalhar com ele, porque ele faz um trabalho brilhante e sensível. Então, quando recebi o convite para fazer parte deste projeto, não hesitei por um segundo.

LB: Há uma previsão de reabertura dos cinemas no México?

AH: No país, espera-se uma reabertura para o “novo normal” por região a partir de junho, portanto não há data geral.

LB: Para finalizar a entrevista, gostaríamos de saber qual é a pergunta que você mais está cansado de responder:

AH: Mais do que cansado, é repetitivo dizer que não haverá uma reunião do RBD. Não podíamos fingir que somos as mesmas pessoas que éramos há 12 anos. Todos nós crescemos e crescer envolve mudanças. É irônico que quando estávamos juntos, queriam nos separar e, mais de 10 anos depois, queiram nos reunir.

 

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