Precisamos falar sobre ‘Sintonia’, a nova série nacional da Netflix

 

Nesta sexta-feira (09) a Netflix estreou sua nova série nacional chamada Sintonia. A trama que chega à plataforma tem como mentor o Konrad Dantas, o KondZilla, sucesso do YouTube no Brasil que conseguiu elevar o funk.

O enredo traz o retrato fiel da periferia com três protagonistas que são amigos confidentes, criados juntos desde a infância, mas que brilham individualmente com um núcleo próprio.  Doni (Jottapê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros) são os responsáveis de mostrar um pouco da realidade vivida por jovens na favela.

Embora a essência seja o funk, a narrativa traz outros temas. Os três jovens que estão amadurecendo, começam a se distanciar, e é aí que acompanhamos novos rumos que a história nos leva de forma natural.

Nando ganha importância no tráfico, Rita descobre a salvação na fé evangélica; e Doni tenta a sorte como cantor de funk. As interpretações dos protagonistas estão excelentes, transmitindo muita verdade e naturalidade. Vale lembrar que qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência, pois vários acontecimentos são fatos que KondZilla ouviu durante sua adolescência na favela do Guarujá.

Uma das inspirações na criação do personagem MC Doni, por exemplo, é o cantor Kevinho, que aparece na trilha sonora e também em referências visuais. Por conta de um problema dentário na época das gravações, o ‘moleque dos hits’ não pôde fazer uma ponta na trama, diferente de MC Kekel e Dani Russo, que aparecem rapidamente em um dos capítulos.

De acordo com os produtores, a ideia da série é fazer com que os jovens que vivem nas comunidades, que raramente conseguem se enxergar na televisão, finalmente tenham um produto que possam acompanhar e se identificar. Apesar disso, a produção também consegue prender a atenção de outros telespectadores, já que contém um conteúdo semelhante a outros gêneros, como romances, vitórias e derrotas.

Uma das poucas falhas presentes em ‘Sintonia’ está na apressada condução dos acontecimentos. Os produtores perderam a oportunidade de explorar um pouco mais na história de cada um dos protagonistas, limitando tudo em apenas 6 episódios de aproximadamente 40 minutos cada. Os estereótipos também incomodam um pouco, percebe-se a preocupação em focar no dialeto das pessoas que moram na “quebrada”, e alguns atores coadjuvantes, como por exemplo a melhor amiga da Rita, soa forçado.

Um dos maiores acertos fica por conta da fotografia caprichada e do arco narrativo do Doni, que mostra exatamente o que esperávamos a cada anuncio sobre a série, como funciona a industria fonográfica, os bastidores e a construção de um artista que vem lá de baixo. Outro ponto que merece parabéns é direção de arte e cenografia que soam bem congruentes.

Parafraseando o redator Ygor Palopoli, a série Sintonia busca, dentro de suas próprias concepções, a sensação de vencer em um ambiente programado para a derrota.

 

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Formado em jornalismo, amante de séries e filmes. Ouvinte de música latina e sertaneja. Pacífico e observador.

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