Precisamos falar sobre Dulce Maria, No se Llorar e toda a era DM

Falar de Dulce Maria é algo complexo e ao mesmo tempo simples. Dona de uma voz única, um carisma especial e uma carreira de quase 30 anos, a eterna rebelde tem grandes marcos em sua história, como sua passagem quando ainda adolescente pelo grupo Jeans, sua icônica personagem em Rebelde e todo o fenômeno que foi e ainda é a extinta banda RBD, além de, é claro, sua carreira solo.

Com um histórico de 3 projetos concluídos e um em andamento, ainda sem data de lançamento, escolhemos seu último passo realmente dado na música, a Era DM, para começar a falar sobre a oscilante carreira musical de Dulce Maria. ‘No Se Llorar’ foi a primeira música dessa nova era, ainda sem nome definido na época. Em abril de 2016, após mais de um ano do lançamento do seu último álbum em estúdio intitulado Sin Fronteras, Dulce Maria retornou ao cenário musical com força total, em uma sexta-feira, 29 de abril de 2016: com um super apoio da gravadora Universal Music México, com uma imagem profissional muito mais trabalhada e um amadurecimento musical inegável.

Muitos puderam conferir naquele momento um dos maiores passos que a mexicana deu em sua carreira. Com um single muito mais sofisticado e uma evolução musical impressionante, No Sé Llorar chegou as plataformas digitais superando lançamentos de grandes fenômenos mundiais como Formation, da Beyoncé, ocupando o primeiro lugar de vendas no iTunes Brasil. Veja:

O “Lemonade” da Queen B. não conseguiu segurar o poder da mexicana. (PureBreak,  29/04/2016)
Dulce Maria está de volta! “No Sé Llorar”(..) já está dominando as vendas do iTunes Brasil, tirando o pódio de “Formation”, da Beyoncé. (Rádio SAT FM, 29/04/2016)
Após uma pausa na carreira musical, a cantora está de volta e já desbancou “Formation” de Beyoncé no iTunes Brasil. (Portal Pepper, 29/04/2016)

As batidas adolescentes teriam sido de vez deixadas para trás e uma nova identidade musical surgiria ali? Muito se especulou após a sonoridade de No Se Llorar ser revelada. Uma redenção? Um amadurecimento profissional? Finalmente teria Dulce Maria acertado na direção de sua carreira e deixado de lado a imagem e sonoridade adolescente que por tanto tempo vinha insistido?

É indiscutível que tanto em Extranjera (2010) como em Sin Fronteras (2014), Dulce Maria mostrou uma faceta não totalmente definida, com um pé lá em 2008 na extinta RBD e outro pé tentando alcançar algo que, até então, parecia ainda desconhecido para ela mesma. Seria injusto não deixar claro os pontos positivos dos trabalhos anteriores dela, como em Ingenua, Ya No (canção original da cantora Selena, regravada por Dulce e muito bem utilizada na campanha contra a violência a mulher), Después de Hoy e En Contra, mas ainda assim os repertórios não conseguiram definir de vez sua personalidade musical.

Passando para a parte visual, No Se Llorar contou em seu videoclipe com o trabalho do diretor Paco Alvarez, hoje noivo de Dulce, e marcou a primeira parceria profissional antes do envolvimento pessoal entre eles. Completamente distinto de tudo o que ela já havia feito antes, encontramos uma mulher e não uma jovem com o pé na adolescência, como é o caso em O Lo haces tu o lo hago Yo. Um conjunto de fotografia, direção, vestuário e postura em cena fizeram desse, em opinião pessoal, o melhor videoclipe da carreira de Dulce Maria. Temos uma mulher madura, segura de si e dos seus sentimentos, mostrando que veio para derrubar todas as estigmas estipuladas sobre si anteriormente. Só para terem um comparativo, assistam OLHTOLHY e em seguida No Sé Llorar e presenciem pessoalmente a mudança entre as duas fases dela.

 

Infelizmente esse acabou sendo a ponta de um projeto que tinha tudo para dar certo e, mais uma vez, não foi bem encaminhado. Volvamos foi a música sucessora de No Se Llorar: um feat com Joey Montana, um cantor panamenho de grande visibilidade no reggaeton, que veio mostrando novamente um lado mais maduro, ousado e sexy de Dulce e que mais uma vez ficou só no ficar ao ser pouco trabalhada, quase nada explorada. Nada comparado a Rompecorazones, que a sucedeu e fez acender a chama de muitas novas ilusões sobre os rumos de sua carreira.

Para a frustração de alguns, o videoclipe – que teve sua gravação durante seu primeiro show no Teatro Metropolitan – acabou não passando o que a canção merecia: uma versão ao vivo e com cenas que demonstrassem toda a emoção daquele momento especial na carreira dela, com o público de fundo cantando; mas não foi isso que aconteceu. Infelizmente tivemos sim cenas mal filmadas do show, intercaladas com um product placement super sem noção do Tinder, e música original compondo a sonoplastia do clipe.

DM foi o sucessor de Sin Fronteras e veio com uma pegada muito mais sofisticada, madura e, pela primeira vez na carreira solo de Dulce Maria, com uma sonoridade musical bem definida. Infelizmente, por diversos motivos que nunca poderemos de fato entender mas apenas aceitar, foi um disco que passou e não foi visto como realmente deveria. DM foi um projeto mal trabalhado, pouco divulgado e ficou apenas na esperança de algo maior, que no fim não foi.

Finalmente anunciadas as datas de lançamento e a “DM World Tour” surgiu, tendo início em março de 2017 com mais um marco em sua carreira, sendo esse o primeiro show solo de Dulce Maria no Teatro Metropolitan, no México (onde até então só havia pisado em outros projetos em grupo); seguido por uma curta passagem pelo Brasil, alguns poucos pockets-shows pelo México, se findando em julho do mesmo ano, na cidade de Madrid , na Espanha, além de algumas aparições em programas de televisão e rádio.

Dulce Maria durante a última apresentação da DMWT no Brasil, em São Paulo. | Foto: Michelle Felippelli

Qual foi o ingrediente que faltou pra realmente dar certo? Empenho, divulgação, marketing, força de vontade pra fazer acontecer, esforço coletivo do fandom? Se perguntarmos aos fãs, muitos apontarão como um “largar de mão vindo da gravadora“, outros irão deixar o peso todo nos ombros de Dulce. Talvez fosse preciso reinventar dia após dia as estratégias de divulgação, criar novas ações promocionais e, em conjunto com isso, ter um maior empenho pela parte da artista? Talvez sim, mas nunca saberemos.

Quem acompanha a carreira dela desde o começo deve lembrar o empenho nos mini-vlogs meio sem pé e nem cabeça que ela postava ocasionalmente em seu canal, a dedicação no processo criativo de Extranjera e todo o entorno desse primeiro momento dela. A pergunta é: Onde foi parar a paixão? Podemos ver recentemente um pouco disso novamente com o processo criativo de Origen, seu novo projeto ainda sem data de lançamento.

Até que ponto a culpa é do artista? é de seus produtores/assessores ou de sua gravadora? Até que ponto vale andar na contramão das músicas sem conteúdo e letra e tentar defender suas raízes, crenças e sua essência? Pra quem é fã e conhece, sabe bem que a Dulce por muitas vezes deixou sua carreira na mão de pessoas sem comprometimento e sem capacidade real para tocar esse outro lado do trabalho, e sabe por várias vezes também rolou um desleixo maroto pela parte dela também.

DM foi uma Era totalmente definida que passou desapercebida e não teve o seu devido valor. Músicas como Cicatrizes, Invencible, Un Minuto sin Dolor e Al otro lado de la Lluvia não tiverem seus devidos momentos de glória e, mais uma vez, não tivemos o prazer de ver Dulce Maria brilhar como realmente deveria e merecia.

Origen teve sua primeira música, Cupido Criminalque já havia sido anteriormente apresentada ao público durante um show em 2015, em São Paulo -, lançada como parte desse novo projeto e por se tratar de uma composição autoral, antiga e nada ‘nova’ de Dulce, não teve tanta euforia em seu lançamento. Um medley com algumas canções desse novo projeto foi apresentado durante seu segundo show no Teatro Metropolitan, dessa vez em 2018, contendo canções já conhecidas como ‘Te Daria Todo‘ e ‘Mas Tuya Que Mia‘, lançadas no último disco da RBDPara Olvidarte de Mi‘.

Mesmo se tratando de algo muito pessoal, com canções autorais regravadas e inéditas, com um processo criativo muito particular e todo articulado pela própria Dulce Maria, que se envolveu em todos os aspectos desse projeto, a expectativa acabou sendo muito frustrante para os fãs e para a própria Dulce já que, segundo as más línguas dizem, parece ter sido jogado pra escanteio pelos grandes acima dela.

Essa vida de fã não é fácil, né? De fã de ex-rbd então: nem se fala! Uma se aposentou, o outro tomou repulsa pela música, uma outra que não sabe se canta ou atua.. (risos). Brincadeiras a parte, ser fã tem desses altos e baixos, e no fim o sentimento prevalece vivo, renovando nosso papel principal na vida: o de ser de trouxa, arrancando todo nosso dinheiro com os shows sem nada de novo a cada 2 anos e quase nos causando mini-enfartos com possíveis retornos/lançamentos/surpresas. Fazer o que, né?

Para todos os fins, o parágrafo anterior não contém nenhum fim ofensivo ou venenoso à nenhum dos ex’s integrantes da banda, sendo apenas uma brincadeira.

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Dulce Maria é a Artista da Semana no LatinosBrasil

Extranjera, Sin Fronteras e DM estão disponíveis nas plataformas digitais, assim como os clipes em seu Canal Oficial no Youtube. Encontre a Dulce Maria através das Redes Sociais: Facebook / Instagram / Twitter😉

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