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Rafael Cortez fala sobre seu projeto MDB – Música Divertida Brasileira

Entrevistas

Rafael Cortez fala sobre seu projeto MDB – Música Divertida Brasileira

Nesta sexta-feira (20) conversamos com Rafael Cortez, que está em plena turnê de seu projeto MDB – Música Divertida Brasileira, em parceria com a Banda Pedra Letícia, que faz parte do elenco do Programa do Porchat. Eles chegam a São Paulo, no próximo dia 2 de novembro, no palco do Teatro Bradesco, com um espetáculo realizado pela ABR Produções.

MDB é o primeiro projeto 100% focado no resgate e releitura do que há de mais divertido nas músicas da MPB que fizeram sucesso entre os anos de 1920 e 1980, além de ser realizado por uma banda composta por humoristas, que conciliam suas próprias agendas com o show desde maio de 2014.

Confira a entrevista na íntegra:

Divulgação

Como surgiu o projeto MDB – Música Divertida Brasileira?

Surgiu em 2013, em um período em que eu estava muito ocioso. Estava trabalhando na Rede Record, mas sem programa naquela ocasião, estava na geladeira e super deprimido.  Eu queria um projeto para abraçar. Um dia estava na esteira da academia e ouvindo música, e começou a tocar uma música do João do Vale que é um compositor do Maranhão dos anos 60 e 70. Uma música muito engraçada do João do Vale chamada Peba na Pimenta, que fala de um cara que promove uma espécie de churrasco. Ele assa uns tatus e chama a cidade para comer e a Maria Benta já chega falando: “olha não vai ter pimenta, né? Não me dou com pimenta”. “Não, pode comer sem susto que a pimenta não arde”. E ela vai dançar o forró soluçando, reclamando da pimenta. Eu ouvi e achei inteligente. Tem tanta coisa engraçada na MPB, que às vezes MPB deveria ser MDB, Música Divertida Brasileira e não Música Popular Brasileira. Ai eu tive um insight. Ai eu pensei: é esse o projeto! Parei o treino, voltei para casa e comecei a fazer pesquisa de repertório e me dei conta que esse era meu projeto.

Como foi formular o show depois disso?

Olha, foi relativamente fácil formular esse show. Porque, ele tem exatamente os elementos que já são fundamentais no stand-up do Fabiano Cambota (o líder da Pedra Letícia) e no meu: interação com a plateia, improviso e história para caramba. Na verdade, quanto o Cambota, quanto eu, a gente não é comediante de stand-up na definição. A gente é contador de história. Nosso estilo de humor é de contar história. Então, são coisas que a gente faz nos nossos solos, a gente só se uniu.

E porque apenas músicas entre os anos 20 e 80?

Então, a gente canta músicas entre os anos 20 e 80 por uma razão proposital.  Há um consenso da nossa parte de que dos anos 80 pra cá as pessoas já conhecem as músicas que são engraçadas da MPB. Os anos 90 se consolidam com Mamonas Assassinas e quem mais tiver feito coisas ou estiver fazendo coisas engraçadas de lá pra cá, o povo conhece. Nossa intenção é justamente mostrar o que havia de divertido antes desse período de boom. De início de globalização, né? De exposição midiática de projetos musicais engraçados. Eventualmente em um bis, em um evento corporativo, num show pontual, a gente pode até vir a cantar um Magal, um Mamonas. Mas essa não é a intenção do projeto, se não ele não teria esse cunho, esse compromisso com o resgate sociocultural histórico das coisas engraçadas da MPB.

Durante o show, com a interação do público, já aconteceu de vocês terem que improvisar de última hora uma música que não estava no repertório?

Acontece direto de a gente cantar uma música que não tá no repertório, que também não tem a ver com o projeto. Teve um dia desses que eu tive um momento fofo com a plateia; acho que eu elogiei alguém da plateia, uma mulher muito simpática, amorosa. Não lembro muito bem o contexto, mas alguém foi muito agradável comigo e eu comecei a cantar Detalhes do Roberto Carlos, que não é nada engraçada.  Mas a banda é muito boa e já entrou, fomos pelo menos até a metade da música com a plateia cantando junto e não tem nada a ver com o MDB. Já toquei Odara do Caetano Veloso. Então, não é uma regra. A gente tenta fazer com que a tal da porraloquice, da loucura, do improviso, venha no verbal mesmo. Musicalmente falando, a gente sabe bem qual é o roteiro do show do MDB. O que nós não temos controle e também ficamos surpresos, são com os improvisos e interações que a gente faz. Tem hora que a gente sai do palco e fala: “o que que eu falei?” O que o Cambota fala: “rapaz, você viu que eu comecei a contar essa história e me alonguei”. E eu falo: “mas foi maravilhoso!”. Musicalmente falando a gente segue um roteiro que tá bem estabelecido, tá bem amarrado, que a gente tem consciência que funciona bem.

Foto: Facebook

A Banda Pedra Letícia é voltada ao pop rock, teve alguma dificuldade de cantar MPB? 

A Banda Pedra Leticia, acima de tudo, é uma banda muito boa! Então, ela não tem dificuldade de fazer nada do que é proposto, sabe? Eles são músicos muito legais, tiram muita coisa de ouvido. E eu fiquei muito surpreso com a facilidade com que eles entraram nesse projeto. Eles são caras muito versáteis e talentosos. E acho que essa experiência que eles tão tendo de tocar todos os dias no Programa do Porchat tá sendo maravilhosa para cada um deles como músicos mesmo. Como banda, nem se fala. Mas cada um dos integrantes da Pedra Leticia fazendo um programa como o do Porchat, só tem a ganhar. Porque um dia o entrevistado é o caro do funk, outro dia o entrevistado é um cara do pop rock, outro dia é um cara da MPB que tá lá. Vira e volta tem dias que eles tocam com gente muito legal. Eles são bons músicos, eles são ligeiros.


Foi difícil conciliar a agenda da Banda Pedra Letícia com a sua?

Não foi difícil conciliar agenda.  Tem sido difícil! Segue sendo difícil! É realmente uma das tarefas das mais complicadas! Se você for ver o site da Música Divertida Brasileira, a gente tem muito menos shows do que gostaríamos. Muito menos! E esse ano tá sendo um desafio para o MDB, porque o Cambota tá muito bem. Finalmente, a carreira do Cambota tá realmente boa e ele merece, há muitos anos ele batalha por isso, e eu tô muito feliz! Cambota tem muita data, Cambota tem muito show, ele tá muito bem cotado. Então, o líder da Pedra Letícia tá com uma agenda muito complicada. Eu sempre tive uma agenda muito complicada, mas tudo bem.  Mas tá sendo bem difícil conciliar as agendas, mas a gente se sacrifica mutuamente. E a gente já fala de um Volume II da MDB.

Quem ainda não viu o show de vocês, o que pode esperar dele?

Quem ainda não viu o show do MDB pode ter certeza que vai se divertir muito, que vai ver um show muito gostoso, muito divertido do começo ao fim. Que vai se surpreender com a riqueza que é o humor que a gente apresenta dentro dessa pesquisa que a gente se propôs a fazer. Vai se surpreender com o arranjo das músicas, com as novas roupagens. Vai se surpreender com a química que há entre a Pedra Leticia e eu. Vai se surpreender com os músicos da Pedra que são muito bons, vai se surpreender comigo cantando, porque eu tô fazendo direitinho, comigo no violão também. Vai se surpreender com a sinergia que temos e com a leveza. Vai se surpreender com o show que é leve, é rápido. Rápido não, a gente conta muita historia, alonga muita coisa, mas não parece que deu uma hora e meia, não parece que deu duas horas as vezes. É muito bom! A gente tem maior orgulho desse projeto, a gente acredita muito nele. Ao mesmo tempo a gente tem muita mágoa porque esse projeto ainda não caiu no fino gosto do grande público né? É um projeto que as pessoas vão assistir e fala: porra, isso aqui é muito legal, porque não tem vários shows desses, porque não tá bombando? Eu falo: Porque é isso cara, fica difícil pra todo mundo. Mas quem for, vai gostar.

E quem já viu, terá alguma novidade? 

Quem já viu o show, pode voltar. Tem gente que vai no MDB desde o primeiro show. O MDB não faz muito show por ano, não.  Mas tem gente que vai desde o primeiro, tem fãs que vão desde de abril de 2014, que foi primeiro show do MDB em São Carlos e que segue gostando, e segue assistindo. Quem já foi pode voltar, vão ver improvisos novos, tem uma coisa que é factual mesmo assim, o MDB bebe do factual, é o calor do momento, é a hora da cena, é o lugar onde a gente tá, é alguém que mexe na plateia, é alguém que provoca a gente, é alguma coisa que acontece, é algum episódio da nossa vida. Podem ir, quem já foi não perde nada em voltar, vai se surpreender ainda mais, e nós evoluímos muito como músicos e como parceiros de banda.

Para finalizar, qual o contato de vocês e como faz para contrata-los? 

O contato principal do MDB hoje está comigo, Rafa Cortez, feito basicamente pelo nosso site: www.musicadivertidabrasileira.com.br, e lá tem o meu e-mail que é o contato@rafaelcortez.com. Eu sou o pai do projeto, criei esse projeto, e faz da Leticia mãe. Mas eu sou aquele pai bravo, aquele pai que fica controlando, fica vendo tudo, mas ao mesmo tempo é aquele pai que da mesada pro filho, entendeu? Então eu sou um pai zeloso, mas que ama demais esse guri. Podem falar comigo, tamo junto!

Serviço: MDB – Música Divertida Brasileira

Data: 2 de Novembro de 2017

Horário: 21h

Local: Teatro Bradesco – Shopping Bourbon

Endereço: R. Palestra, 500 – Loja 263, 3º Piso – Perdizes – São Paulo.

Ingressos: De R$50 a R$100

Venda de ingressos: https://www.teatrobradesco.com.br/programacao.php?id=808_M%C3%9ASICA+DIVERTIDA+BRASILEIRA

Realização:

ABR Produções
(11) 2609-2605-  contato@abrproducoes.com.br

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Jornalista, fã da cultura latina e apaixonada pela loucura que é viver em São Paulo, sem querer trocar isso por nenhuma calmaria, pois já vive trocando o português pelo espanhol no seu dia-a-dia.

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