Inquieto e nas horas vagas professor, cantor Eric Hirsh fala sobre carreira e política

 

Cantor brasileiro Eric Hirsh é um dos artistas que vem para dar continuidade no cenário da MPB. Caminhando em passos curtos e com muita sabedoria, o artista expressa suas críticas através de canções. Faz do universo musical seu espaço para mostrar o que existe dentro de si.

Há três anos o musicista lançou o single ‘Não Passarão’ uma crítica política ao momento que vivíamos. Hoje, pretende lançar um novo projeto, mas sem perder sua essência, cada letra, som ou ritmo entra um pouco naquilo em sua representatividade.

Transitando por estilos e direções diversas, Eric é um profissional de mão cheia, já que toca vários instrumentos e procura passar o que sabe para cada um de seus alunos. O tempo é sempre dedicado para aquilo que ama, a música.

Quanto ao estilo musical, Eric declara: “O estilo musical é o meu… uma mistura de música popular brasileira, muita influência no tropicalismo, no clube da esquina, com jazz, soul, rock…”.

As influencias também são bem distintas umas das outras, vai de Amy Winehouse até Mamonas assassinas. O artista concedeu uma entrevista ao Latinos Brasil e falou um pouco de suas inspirações, política e carreira. Confira

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LB O que você está preparando para apresentar? 

Sempre estou preparando algo diferente. Participo de diversas formações e projetos de colegas, além dos meus próprios e diversos projetos. Um dos que faço parte é da banda da Roberta Zerbini, artista paulistana ousada, com uma campanha de crowdfunding para gravar em agosto, junto com músicos renomados do cenário nacional; estamos preparando um disco muito lindo dela. Tenho também uma banda que busca a sonoridade do final dos anos 60, começo dos 70, misturando Funk, Soul e muita brasilidade. Além do meu novo trabalho autoral, previsto pra sair no segundo semestre.  

LB Podemos aguardar alguma parceria musical? 

Alguma não, diversas. Valorizo muito meus colegas músicos e tenho parcerias com Andrea dos Guimaraes, Juliana PerdigãoGuegué Medeiros, João Antunes, Samuel Scholl (Samuca e a selva), Daniel Lotoy (be bowie, Bolero Freak), Rafael Moura (camarão blues), Hector Costita, Itamar Collaço, dentre outros.  

LB O que te inspira para compor suas músicas? 

O que mais me move é minha inquietude quanto à situação do povo no nosso país e no mundo afora. A música instrumental me ajuda muito a manter minha criatividade à mil, mas as letras trazem quase sempre alguma crítica à condição dos mais vulneráveis e um ataque àqueles que perpetuam este sistema iníquo. Também a possibilidade de apresentar alternativas, de propor novas saídas 

LB Suas influências são bem distintas, mas há algum músico que você tem como ídolo? 

Sim, há vários. Cazuza sempre foi um ídolo pra mim, assim como Elis Regina, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Tom Zé… Pergunta difícil de manter enxuta… rsrs 

LB Quando percebeu que gostaria de investir na área musical? Você possui alguma referência na família, ou a paixão surgiu por acompanhar personalidades do entretenimento? 

Eu sempre fui muito incentivado pela minha família, tive uma infância bastante privilegiada nesse sentido. Meu pai foi baixista da Gang 90, ele foi quem sempre me inspirou e me apresentou um mundo de discos e instrumentos. Demorei a assumir a música como profissão, por medo de não dar certo. Decidi assumi-la ao rever meus conceitos do que é “dar certo”. 

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LB Nosso site é voltado mais pro público apaixonado por artistas de língua hispânica. Você costuma ouvir algo do gênero latino? 

Sim, ouço bastante Irakere, big band de funk caribenho dos anos 70, Jaime Roos do Uruguai (sou apaixonado por candombe e pelas murgas), Mercedes Sosa, Victor Jara, claro. Também ouço Santiago Downbeat, banda de ska chileno, tenho grandes colegas uruguaios como Gastón Reggio, Santiago Massa, Nicholas Sélves, Amanda Mara que além de uma amizade gostosa que surgiu quando estudamos juntos,  sou fã do trabalho deles. 

Hoje, da mesma forma que temos nas mãos ferramentas onde podemos nos expressar para todo o mundo, existem inúmeras pessoas sempre prontas para atacar em casos de opiniões contrárias. No single “Não passarão” você faz uma crítica política, o que é bem ousado. Ela trouxe alguma represália? Como seu público recebeu este trabalho?  

Olha, o meu público recebeu muito bem. Claro que tive alguns problemas, principalmente na minha página do Facebook, onde surgiam criticas sobre meu trabalho, mas de forma completamente rasa e ignorante, como é de praxe. Principalmente após a eleição do atual presidente, se sentiam empoderados, falavam que a mamata acabou, que lei rouanet já era. Eu nunca vi a cor dessa dita mamata, mas enfim. Nunca levei muito a sério as críticas, pois elas também nunca vieram de maneira contundente. 

ASSISTA AO VÍDEO DA MÚSICA ‘NÃO PASSARÃO’ CLICANDO AQUI

LB: De onde surgiu a ideia de compor uma música com este tema? Qual era a intenção no momento em que veio em sua mente transformar sua crítica em música? Como ela repercutiu?   

Foi um ato impensado e quase automático. Estava chegando à casa dos meus pais, quando houve o impeachment da Dilma, no momento em que chegava de viagem de Tatuí, onde passava uma parte da semana estudando lá no conservatório. Eles sempre assistiam jornais e estava ligado no canal, no momento em que abri a porta, pude ver aqueles jornalistas sorridentes, bem vestidos, cenário chique, agindo com naturalidade, dando risadas altas. Aquilo mexeu tanto, que eu não tive outra reação a não ser me trancar num quarto e vomitar esta música, que saiu com letra, melodia e harmonia tudo ao mesmo tempo. Era um sentimento tão denso, tão à flor da pele, que foi pro papel em questão de minutos. A repercussão dela foi muito boa, cheguei a receber proposta pra grava-la em Los Angeles, muitos músicos se dispuseram a ajudar. Apesar de me sentir lisonjeado, queria ir por outro caminho na gravação, algo mais independente mesmo, pagando os músicos e tudo que precisava. 

LB: Você não é só músico, mas também é professor. Você tem facilidade em equilibrar essas duas profissões? 

Na verdade, são profissões que se complementam, já que a situação para nós músicos é bastante instável. Sempre temos que manter aberto um leque de atividades pra que caso uma diminua ou caia, a outra possa segurar. Não sei se tenho facilidade em equilibrar ambas profissões, mas eu gosto muito. 

 

PING PONG Latinos Brasil

LB: Uma música que não pode faltar na sua playlist?

Uma? Gente, não entendo como alguém escolhe apenas uma, hehehe. Ouçam Baião de Lacan, do mestre Guinga. Obra prima brasileira. 

LB: O que a música significa pra você? 

Não consigo ver um significado específico. A música é um universo, minha profissão, minha paixão, minha válvula de escape, minha esperança, meus anseios, minha alegria. A música me inspira e me mantém sempre ativo. 

LB: Um sonho que ainda não cumpriu: 

Gravar discos conceituais, como se fazia nos anos 70. O reconhecimento do meu trabalho. Ver meu país se livrar da miséria, se livrar do ódio ao diferente, da falta de oportunidades, da ignomínia. 

LB: Um sonho realizado: 

Ter passado no conservatório com nota máxima, ter me mudado pra São Paulo e viver da minha arte e do meu esforço. 

LB: Um Sonho? 

Morar numa casa sustentável, afastada da grande cidade, ter meu próprio estúdio em casa… 

LB: Um artista que você adoraria fazer uma parceria musical? 

Sonho em conhecer o Gilberto Gil, obviamente adoraria fazer uma parceria musical com ele… 

LB: Uma qualidade sua 

Sou sensível… 

LB: Um defeito? 

Sou sensível. rsrsrsrsrsrs 

LB: Uma palavra que defina o que seus fãs são para você? 

Chão. 

LB: Qual pergunta nunca te fizeram, mas você gostaria que fizessem para poder responder? 

Nunca me perguntaram o que penso da história do Brasil. Adoraria responder…

Saiba mais sobre o cantor Eric Hirsh através do site www.hirscheric.com/

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Formado em jornalismo, amante de séries e filmes. Ouvinte de música latina e sertaneja. Pacífico e observador.

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