Bob do Contra fala sobre próximos lançamentos, Poesia Acústica e sua ligação com a Pineapple

Mateus, mais conhecido como Bob do Contra, cantor de rap que já ultrapassa 1 milhão de ouvintes mensais na plataforma do Spotify, famoso pelos seus trabalhos no grupo Contra Corrente, e também por colaborações nos lançamentos da Pineapple, como as edições 4 e 6 do projeto Poesia Acústica, sendo elas “Todo Mundo Odeia Acústico” e “Era Uma Vez” – que juntas somam mais de 200 milhões de visualizações em seus videoclipes oficiais com um elenco de bons e grandes artistas. Na tarde da última segunda-feira (22), Bob atendeu o LB para falar sobre sua carreira e promete trabalhar muito para trazer muitas novidades para seus fãs.

Bob do Contra na gravação de Poesia Acústica #6 Photo: @caduandradee

Confira a entrevista completa de Bob do Contra para o Latinos Brasil:

LB: Primeiramente, de onde veio a ideia do nome “Bob do Contra” para ser seu nome artístico?

Bob: Então, na verdade Bob veio daqueles apelidos de adolescente, não foi nada a ver com nada, eram piadinhas, acredito que normalmente a que você não gosta é a que vira (risos). E “Do Contra” as pessoas às vezes me perguntam: “Ah, mas é por quê você é do contra mesmo?”, na verdade não! Hoje em dia eu tento pegar esse estigma e fazer as coisas acontecerem a favor disso, mas esse apelido “Do Contra” é do grupo Contra Corrente, que no caso éramos eu e mais dois integrantes, Gabriel e o Floripa – que é o GB LAB (costumo falar éramos porque nós estamos um pouco parados). E aí tudo que eu lançava de participação sem ser com o grupo, colocava no final “Bob“, e as pessoas passaram a me conhecer por esse nome: “Olha, é o Bob do Contra Corrente“, com isso acabei tirando o resto, ao invés de deixar “Bob do Contra Corrente“, e adotei o nome “Bob do Contra“.

LB: Sobre seu álbum, intitulado “The Bob Show“. Como foi feita a escolha das faixas que estariam inclusas no seu primeiro projeto?

Bob: O The Bob Show foi lançado em 2017, vou lançar outros projetos ainda esse ano. Esse álbum foi o meu primeiro projeto solo, eu já tinha feito participações, etc, mas nunca algo só meu, e o ‘The Bob Show‘ é um misto de coisas: Uma apresentação para mostrar que tipo de artista eu sou/quero ser, também por uma brincadeira que fiz com o nome, porque tinha um programa americano chamado “The Bob Show” onde o apresentador se chamava Bob e além de apresentar o programa, ele sempre se apresentava também, e como uma forma de homenagear um dos CDs que eu sempre escutei na minha infância, que foi o “The Eminem Show“. Nas minhas faixas e nos meus trabalhos eu tento sempre mostrar a minha cara, eu acredito muito no conceito, as escolhas dos instrumentais são propositais, é para que um conclua e ajude o outro da faixa anterior, e por aí vai. Na produção dele, a gente sentou e pensou em uma forma com que as pessoas me conhecessem melhor como artista, só queríamos fazer algo que pudesse me representar, mas meus próximos trabalhos não estão só mais conceituais, como também mostram mais de mim, também foi proposital eu não querer mostrar tudo de mim para que as pessoas fiquem curiosas para saber o que vem depois.

LB: O rap por muito tempo foi criminalizado no Brasil. Qual a sensação de ver esse estilo ganhar cada vez mais destaque nacional?

Bob: É estranho perceber, mas não mudou tanto. Eu acho que a criminalização do funk, rap, é igual ao racismo velado que existe, igual a homofobia. Em pleno 2019 está acontecendo isso sim, não é uma surpresa para mim, mas todo mundo achou que o Brasil estava se encaminhando para melhor, mas pelo que parece não. É bizarro ver como o estado lida com as pessoas da favela, como tratam o pobre, pessoas de bem mesmo. O funk e o rap são o espelho da sociedade, a criminalização desses gêneros é uma criminalização do pobre, do favelado através de outros gêneros, de outras coisas. É como se para dizer que você não gosta do funk, você diz que não gosta de um funkeiro. Há 5 anos atrás eu achava que muita coisa estava melhorando, que as coisas estavam mudando, que iam se dar conta de que racismo, homofobia é coisa de idiota, mas tem uma rapazeada que parece que não entende. Isso é triste, muito triste mesmo!

LB: Como foi para você participar de 2 dos 6 Poesia Acústica, que hoje está nos mais altos patamares do rap brasileiro?

Bob: Sobre como é para mim participar desse projeto, e sobre minha ligação com a Pineapple: É muito louco como tudo isso começou, porque os dois donos atuais do canal da Pineapple – o Paulo Alvarez e o Lucas Malak – eles eram meus amigos antes disso tudo acontecer, eles ainda não tinham isso e eu já tinha o projeto com o Contra Corrente, já vamos fazer 9 anos desse projeto, ou seja, já existia há bastante tempo. E o Malak, dono da Brainstorm Estudio e também um dos donos da Pineapple Studio, começou a me chamar para gravar no estúdio deles, além de ser meu amigo de escola, passou a morar próximo a mim, então pensei que seria legal que além de gravar, ainda seria próximo a minha casa. Quando eu estava começando a gravar minhas paradas, eles passaram a me incluir nos trabalhos deles também, mas acredito que não foi só por amizade, mas porque já acreditavam no meu trabalho, me apoiavam desde sempre, e enfim, também vou estar sempre apoiando eles.

No projeto Poesia Acústica 4 foi uma loucura, eu tinha falado com o Malakque também é o meu produtor musical atualmente – sobre querer gravar um reggae, algo que é totalmente diferente do rap, mas eu não sabia como ia lançar e nem como ia funcionar. Gravei esse meu reggae, que hoje é a minha parte em “Todo Mundo Odeia Acústico“, onde eu inicio a música! Ela não era Poesia Acústica, era algo meu que eu estava gravando solo, e aí o Paulo estava em uma gravação de clipes com uma galera e mostrou minha parte a eles, colocando o meu reggae para escutarem, e quem ouviu a música e gostou demais e quis entrar em contato comigo foi o Mv Bill, e eu aceitei na hora! Então o Paulo falou em transformarmos a minha faixa em Poesia Acústica, e completou com aquele time: Djonga, Azzy, e aquela galera. Então assim, o Poesia Acústica 4 foi um pouco diferente para mim, porque era uma faixa minha e acabou se transformando nisso, e o Poesia Acústica 6, “Era Uma Vez“, eu já fui convidado pelo Paulo e Malak, eles falaram comigo depois de terem trabalhado no 5, sobre a galera ter se amarrado e se eu topava participar do 6. Fiquei muito feliz com o convite e participei. Hoje em dia eu sou da banda do Poesia Acústica que roda o país, sou não só eternamente grato a eles e ao Poesia Acústica, mas a tudo! O Poesia Acústica tem influenciado em várias outras coisas em mim, na questão de experiência para tudo, para diversos tipos de vivência. Agora rodando o país com shows, viver do rap – que é um sonho para muita gente – vou aprendendo de tudo, vamos conhecendo muitas pessoas, lugares, culturas, entender o que a galera entendeu da sua música, isso para mim é muito importante, ou seja, esse projeto sem dúvida tem uma grande parcela da minha carreira atual.

Pretendo fazer outro Poesia Acústica se eu for convidado? Pretendo! (Risos). O que eu já posso adiantar é que não vou participar do Poesia Acústica 7, porque é algo natural e é bom não ter um mesmo artista na faixa seguinte, mas tenho certeza que o som dele vai ficar muito foda!

LB: Quanto as composições do projeto Poesia Acústica. Como são realizadas?

Bob: Uma vez eu fiz uma brincadeira no Instagram e a rapazeada confundiu tudo e acabaram levando a sério, nela eu dizia que era o Malak que fazia tudo, mas não é. Cada um escreve a sua parte, o que o Paulo e Malak fazem é que quando chamam os artistas para o projeto, eles dão um tema, um pouco diferente do que aconteceu no Poesia Acústica 4, porque era uma faixa minha, mas nos outros já tinham um tema pré-definido e as pessoas já sabiam como ia ser, mas a criação e até a própria ordem de quem vai entrar depois de quem, é muito natural. Eu vejo que as pessoas teorizam muito sobre o Poesia Acústica, de como deve ter sido a organização, se os caras chegam e falam “Faça isso, faça aquilo” e fica tudo para a produção, mas na verdade o que fica na mão deles é essa parte instrumental, etc, e a pós produção. Então nessa questão de que horas um entra ou quer entrar na música é um consenso de todos os artistas, a Pineapple sugere um tema, dão o instrumental, a gente curte, vai lá e cria. Com essa comunicação que vamos tendo com os outros artistas, acabamos criando uma amizade, como por exemplo, comecei a ter uma amizade maior com a Azzy que hoje é minha brother, com o Djonga, enfim, comecei a ter uma amizade maior com essa galera através do Poesia Acústica.

Na 6 agora também, comecei a ter uma amizade maior com o Orochi, Xamã, então claro, é algo que os artistas vão se conhecendo, vendo o talento de cada um, isso é muito interessante, eu particularmente gostei muito da experiência de ambas. As pessoas me perguntam muito: Ah, qual você preferiu mais gravar, a 4 ou a 6?”: São duas faixas totalmente diferentes, propostas completamente diferentes, começaram de formas diferentes, então não dá para fazer essa comparação, só posso dizer que ambas foram experiências muito legais e interessantes.

LB: Vemos que você e Azzy tem uma forte amizade e ela está prestes a lançar um disco intitulado “Mano Não Toca Na Lace“. Podemos esperar uma parceria musical entre vocês dois?

Bob: Na real, nós estamos prometendo uma faixa juntos há um tempão, mas até agora não tivemos tempo de sentar no estúdio, parar e fazer. Nós estamos sempre juntos, participamos dos shows juntos. A banda oficial do Poesia Acústica que roda o país juntos fazendo shows sou eu, Tiago Mac, Kayuá, Azzy, Ducon e o Chris também tem feito bastante coisa com a gente. Eu e a Azzy queremos gravar uma faixa juntos, ainda não rolou, mas vai rolar sim! Só está faltando tempo mesmo, mas pode anotar que vai rolar!

LB: O que podemos esperar de Bob para este ano de 2019?

Bob: Eu continuo na banda do Poesia Acústica, já temos uma agenda fechada de shows até o final do ano, ou seja, vamos rodar o país com bastante show. Eu e o Tiago Mac estamos para lançar um disco colaborativo desde o ano passado, o nome dele é “Divina Comédia”, um disco conceitual de 9 faixas. Nós vamos contar sobre o inferno pessoal, que é um disco mais denso, algo mais forte! O “Divina Comédia” será lançado até o final de maio, já estamos há 1 ano programando esse projeto que estávamos construindo e agora só estamos terminando de gravar as participações do disco. Além disso, pretendo lançar um novo EP até o final desse ano se tudo der certo, lançar meu disco solo, não vai ser só um EP, vai ser um disco. E se Deus quiser também sairá esse feat. com a Azzy e outros feats. meus que estão para sair também!

PING PONG LB

LB: Uma música que não pode faltar na sua playlist?

Grammys – Drake feat. Future

LB: Um sonho?

Vai parecer clichê, mas é isso aí: Ser feliz!

LB: Um artista que você gostaria de fazer um feat?

Um artista nacional, fora do rap: Marcelo Falcão.
Um artista internacional: Drake, Eminem.

LB: Uma palavra que defina o que seus fãs são para você?

Tudo!
São eles que acreditam em mim e fazem com que eu acredite também.

LB: Um recado final para seus fãs:

Eu pretendo estar trabalhando muito, sou um cara trabalhador, pretendo corresponder vocês com faixas. O que posso dizer é, se vocês viram o Bob durante 2017 e 2018 que lançou coisas pontuais, mas foram poucas coisas, em 2019 vem bastante coisa por aí!

Acompanhe Bob do Contra no Spotify!

 

Assista ao videoclipe do Poesia Acústica 4 – “Todo Mundo Odeia Acústico”:

 

Assista ao videoclipe do Poesia Acústica 6 – “Era Uma Vez”:

 

Entrevista por: Lara Cunha

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Publicitária e Editora-Chefe do Latinos Brasil.

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